Bons títulos criam expectativas desnecessárias

Dias atrás alguém aqui da agência comentou sobre uma série que assistira, na qual um dos protagonistas era uma personagem cabelo-cor-de-fogo (mentirinha, é só pretexto pra puxar assunto). E isso ficou na minha cabeça por um bom tempo.

Na hora que ouvi o termo imaginei de imediato uma mulher resoluta, de pele alva e forte, resiliente e guerreira, e com os cabelos avermelhados dançando lentamente como chama de fogueira de São João. Foi forte. Foi impactante. E essa imagem me acompanhou por dias. Criada de um mero comentário da sala ao lado. Por horas fiquei buscando bons nomes pra mulher com cabelo-cor-de-fogo. Deixei a imaginação trabalhar livremente. Divaguei. […] Foram tantos que nem dá pra citar aqui, tenho certeza que também passaram ideias pela sua cabeça sem que você mandasse. Esse é o poder da palavra numa imaginação fértil. Meu amigo, voa longe. A palavra.

Acredito que uma das invenções mais sensacionais da nossa sociedade (depois do tereré e do molho tarê) é a comunicação. Algo tão sutil, complexo e dinâmico. Sem ela não existiria nada, nem mesmo a matemática ou as religiões — ou até mesmo este que vos fala. Quase tudo depende de uma existência linguística, em tempo. É sensacional pensar nisso. É incrível trabalhar com isso. Com comunicação. É como num jogo com os amigos poder escolher as próprias cartas à luz da mesa.

Palavras têm força e gostamos de lidar com sua musculatura. Seja numa música, numa poesia, numa receita de bolo de cenoura ou num bilhete anônimo de amor. A gente cresceu e aprendeu a crer nas convenções que as palavras proporcionam. Nossa mente por muitas vezes constrói imagens e rotulam coisas e pessoas espontaneamente. Pro bem e pro mal. Quer ver?

– Evidências;

– Beijo do gordo;

– Lua cheia;

– Se sujar faz bem;

– 🙁

Posso adivinhar cada pensamento que você teve com a listinha acima. Tô te falando… esse negócio de palavra é forte.

Numa agência de propaganda a maioria do pessoal trabalha com o que cada palavra tem que provocar na cabeça de cada usuário que compõe a audiência. É como num jogo de xadrez: você abre a dama no início e isso vai provocar uma defesa mais forte do outro lado. Ação e reação. Uma boa ação requer uma reação à altura. E quando houver desequilíbrio GAME OVER.

Contudo, vemos muitas empresas às pressas publicando, postando e agindo na internet e mídias sociais. A esmagadora maioria usando palavras erradas, mal escritas, falhas, desconjuntadas, desalinhadas, que obviamente provocarão uma reação menor do usuário ou a até mesmo reação alguma. Infelizmente.

Não é sobre saber escrever uma sentença. É sobre conhecer o canal, definir o contexto, mapear o receptor, moldar a mensagem, prever os ruídos. Semiótica, parça. No dia a dia a gente faz isso no automático, mas se é algo que você não domina, cuidado. É realmente difícil, mas a gente faz parecer fácil.

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